![]() |
| Os cegos e o elefante |
“O poema
fala de seis homens cegos do Industão que decidiram aprender o que era um
elefante. Cada um deles tocou uma parte do animal. Um tocou o lado do corpo do
elefante e disse que o elefante era como uma parede, outro tocou a tromba e
ficou convencido que o animal
era como uma grande serpente, o que tocou o joelho
disse que era como uma árvore e assim por diante. Assim todos acharam a sua “própria
verdade”. Começaram a discutir alto e
prolongadamente, cada um com a sua própria opinião, sobre o que seria o elefante. Embora cada um
tivesse em parte esse direito, a recusa em ouvir os outros no seu esforço
para impor as suas próprias razões deixou-os com o seu ponto de vista limitado”.
O poema do autor
americano J. G. Saxe, “Os Cegos e o Elefante”, baseado numa fábula indiana e
que se apresenta com várias versões, permite-nos retirar algumas conclusões
sobre a maneira como devemos encarar as várias realidades que não somente a
nossa, ou seja, perceber a importância de nos centrarmos na visão da situação
não só pela forma como encaramos a realidade mas tentando perceber as
realidades dos outros, pois só assim nos permite fazer uma síntese, chegar a um
consenso, uma visão de conjunto.
Num processo de mediação é importante que se leve as partes envolvidas a perceber que nunca
existe uma só verdade para um determinado facto ou situação. Ao levar as
pessoas a perceber que não existe apenas a “sua” verdade, colocando-se no ponto
de vista do outro, isso permitirá chegar a um consenso.
Estas pessas invisuais estavam a
querer explicar o que cada uma achava que era o elefante;
todas tinham a sua razão na
percepção sobre o que achavam que era o elefante. No entanto, e isso é que seria o mais importante, cada uma delas não
se questionou sobre o porquê das outras entenderem outra coisa! Se o tivessem
feito poderiam ter encontrado a “visão” do conjunto. É preciso reconhecer
que o/a outro/a pode ver aspectos que eu não vejo!
Diálogo compreensivo (empático) só é possível quando se tenta perceber a posição contrária, não a partir da
nossa própria perspectiva mas a partir da perspectiva do outro.
A maior parte das
discussões e das posições rígidas surge exactamente porque em caso de
discussão, ninguém detém toda a razão, a verdade absoluta.
Quantos conflitos e mal entendidos surgem exatamente porque não se tem em conta o que o interlocutor efetivamente entendeu!
O/a mediador/a de confitos em geral, deve
evitar ser levado/a pelas suas próprias percepções da realidade, das suas ideias
pré-concebidas, dos estereótipos, suas crenças e valores; centrar-se no outro e ter consciência
de que não deve tomar como certo aquilo que pode não o ser, não tomando a sua realidade
dos factos como certa e tentar que as partes construam a sua própria “realidade”, a fim de
construir uma realidade comum.

Sem comentários:
Enviar um comentário