quarta-feira, 26 de março de 2014

Metáfora de "Os cegos e o elefante" e a mediação




Os cegos e o elefante

“O poema fala de seis homens cegos do Industão que decidiram aprender o que era um elefante. Cada um deles tocou uma parte do animal. Um tocou o lado do corpo do elefante e disse que o elefante era como uma parede, outro tocou a tromba e ficou convencido que o animal era como uma grande serpente, o que tocou o joelho disse que era como uma árvore e assim por diante. Assim todos acharam a sua “própria verdade”. Começaram a discutir alto e prolongadamente, cada um com a sua própria opinião, sobre o que seria o elefante. Embora cada um tivesse em parte esse direito, a recusa em ouvir os outros no seu esforço para impor as suas próprias razões deixou-os com o seu ponto de vista limitado”

O poema do autor americano J. G. Saxe, “Os Cegos e o Elefante”, baseado numa fábula indiana e que se apresenta com várias versões, permite-nos retirar algumas conclusões sobre a maneira como devemos encarar as várias realidades que não somente a nossa, ou seja, perceber a importância de nos centrarmos na visão da situação não só pela forma como encaramos a realidade mas tentando perceber as realidades dos outros, pois só assim nos permite fazer uma síntese, chegar a um consenso, uma visão de conjunto.

Num processo de mediação é importante que se leve as partes envolvidas  a perceber que nunca existe uma só verdade para um determinado facto ou situação. Ao levar as pessoas a perceber que não existe apenas a “sua” verdade, colocando-se no ponto de vista do outro, isso permitirá chegar a um consenso. 
Estas pessas invisuais estavam a querer explicar o que cada uma achava que era o elefante; 
todas tinham a sua razão na percepção sobre o que achavam que era o elefante. No entanto, e isso é que seria o mais importante, cada uma delas não se questionou sobre o porquê das outras entenderem outra coisa! Se o tivessem feito poderiam ter encontrado a “visão” do conjunto. É preciso reconhecer que o/a outro/a  pode ver aspectos que eu não vejo! 

Diálogo compreensivo (empático) só é possível quando se tenta perceber a posição contrária, não a partir da nossa própria perspectiva mas a partir da perspectiva do outro. 
A maior parte das discussões e das posições rígidas surge exactamente porque em caso de discussão, ninguém detém toda a razão, a verdade absoluta.
Quantos conflitos e mal entendidos surgem exatamente porque não se tem em conta o que o interlocutor efetivamente entendeu! 
O/a  mediador/a  de confitos em geral, deve evitar ser levado/a pelas suas próprias percepções da realidade, das suas ideias pré-concebidas, dos estereótipos, suas crenças e valores; centrar-se no outro e ter consciência de que não deve tomar como certo aquilo que pode não o ser, não tomando a sua realidade dos factos como certa e tentar que as partes construam a sua própria “realidade”, a fim de construir uma realidade comum.
 

Se apenas houvesse uma única verdade, não podiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema" 

(Pablo Picasso)

 



Sem comentários:

Enviar um comentário