terça-feira, 1 de abril de 2014

ASSISTENTE SOCIAL NA EQUIPA INTERDISCIPLINAR



A atividade profissional numa equipa multidisciplinar é extremamente enriquecedor, quando existe o espírito de partilha de conhecimentos e se tem um objetivo comum.
Era isso que acontecia na década de oitenta na CERCI. A equipa era constituída por técnicos diferenciados nomeadamente psicólogo, professores do ensino básico, alguns especializados, auxiliares de educação, monitores de formação profissional e atividades ocupacionais e pessoal dos serviços de apoio como motoristas, cozinheira e auxiliares de cozinha e pessoal administrativo. A Direção da Cooperativa constituída por cinco elementos, entre técnicos e pais.
O papel da Assistente Social era muito considerado e respeitado por toda a equipa. 
De forma genérica, centrava-se no seguinte: 

  •  Elaboração dos processos sociais, através do estudo das condições socioeconómicas da família do aluno e elaboração do diagnóstico social que determinava a intervenção social adequada a cada situação; 
  • Intervenção com as famílias e com a comunidade envolvente (entidades, empresas, e outras organizações) sendo o principal elo de ligação com os vários intervenientes no processo de reabilitação e os serviços e entidades públicas;
  • ·Acompanhamento de todo o percurso da criança/jovem, desde a sua admissão até às várias formas de integração social e profissional, através do trabalho interdisciplinar, articulando com as famílias na procura de respostas adequadas a cada situação;
  • Informações e esclarecimentos às famílias e comunidade sobre os seus direitos, e particularmente da pessoa com deficiência, mantendo atualizada a legislação (de referir que havia por parte dos pais, um grande desconhecimento dos direitos á proteção social das crianças, e não eram raros os que, quando eram admitidos para frequentar a escola de educação especial, ainda não recebiam o abono de família); 
  • Articulação com a segurança social, nomeadamente no que se referia a prestações familiares e sociais: abono de família, abono complementar (mais tarde designado “bonificação por deficiência”), subsídio de educação especial, pensões de invalidez, pensão social, etc. 
  •  Interligação com os serviços, entidades, autarquias, empresas, para a resolução de situações sociais de precariedade, saúde, habitação, segurança social, emprego, e outros.


O papel da assistente social na ajuda para a resolução dos problemas das famílias, era estimulado quer pela preocupação de toda a equipa como pela própria direção que facultava os meios para o fazer. Por exemplo, o acompanhamento de crianças/jovens portadoras de paralisia cerebral ou multideficiência, a consultas médicas a Coimbra, quando provenientes de famílias que tinham dificuldades económicas, eram assegurados em carrinhas da instituição, havendo uma estreita articulação entre os técnicos da instituição e do Hospital Pediátrico /Centro de Paralisia Cerebral.

O nível e as condições de vida das famílias eram substancialmente diferentes das atuais, tendo-se assistido a enormes mudanças, também neste aspeto.
Num primeiro levantamento socioeconómico, efetuado em 1986, às famílias dos alunos, constatou-se que:
  • Grande parte das famílias vivia em meio rural, com profissões ligadas ao operariado fabril e construção    civil.
  • As mães dos alunos eram, na sua maioria, domésticas, acumulando com a agricultura de subsistência.
  • O nível cultural era caracterizado por muito baixas ou nulas qualificações e grande iliteracia (mais acentuado nas mulheres)
  • Baixos rendimentos e condições habitacionais precárias.
  • Muitas habitações não possuíam quarto de banho, água canalizada e, em alguns casos, até eletricidade.
  • A rede de comunicações era muito incipiente: muito poucas famílias possuíam telefone em casa.
  • Ao nível habitacional, a situação melhorou com a construção de vários bairros sociais onde algumas das famílias foram sendo gradualmente realojadas, mas também desenraizadas das freguesias rurais para viverem na cidade.

Todos estes fatores condicionavam o trabalho da assistente social. Eram mesmo determinantes nas estratégias de intervenção.

  • O contacto pessoal e as visitas no domicílio, era privilegiado ao contacto por carta ou por telefone, de uma forma muito próxima das famílias e da comunidade. 
  •  O trabalho interdisciplinar era, dessa forma, enriquecido pelo conhecimento que a assistente social detinha da realidade social das famílias das crianças/ jovens e as suas condicionantes, o que se tornava fundamental no trabalho pedagógico que era desenvolvido pelos professores.

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