A atividade
profissional numa equipa multidisciplinar é extremamente enriquecedor, quando
existe o espírito de partilha de conhecimentos e se tem um objetivo comum.
Era
isso que acontecia na década de oitenta na CERCI. A equipa era constituída por
técnicos diferenciados nomeadamente psicólogo, professores do ensino básico,
alguns especializados, auxiliares de educação, monitores de formação profissional
e atividades ocupacionais e pessoal dos serviços de apoio como motoristas, cozinheira
e auxiliares de cozinha e pessoal administrativo. A Direção da Cooperativa constituída
por cinco elementos, entre técnicos e pais.
O
papel da Assistente Social era muito considerado e respeitado por toda a
equipa.
De forma genérica, centrava-se no seguinte:
- Elaboração dos processos sociais, através do estudo das condições socioeconómicas da família do aluno e elaboração do diagnóstico social que determinava a intervenção social adequada a cada situação;
- Intervenção com as famílias e com a comunidade envolvente (entidades, empresas, e outras organizações) sendo o principal elo de ligação com os vários intervenientes no processo de reabilitação e os serviços e entidades públicas;
- ·Acompanhamento de todo o percurso da criança/jovem, desde a sua admissão até às várias formas de integração social e profissional, através do trabalho interdisciplinar, articulando com as famílias na procura de respostas adequadas a cada situação;
- Informações e esclarecimentos às famílias e comunidade sobre os seus direitos, e particularmente da pessoa com deficiência, mantendo atualizada a legislação (de referir que havia por parte dos pais, um grande desconhecimento dos direitos á proteção social das crianças, e não eram raros os que, quando eram admitidos para frequentar a escola de educação especial, ainda não recebiam o abono de família);
- Articulação com a segurança social, nomeadamente no que se referia a prestações familiares e sociais: abono de família, abono complementar (mais tarde designado “bonificação por deficiência”), subsídio de educação especial, pensões de invalidez, pensão social, etc.
- Interligação com os serviços, entidades, autarquias, empresas, para a resolução de situações sociais de precariedade, saúde, habitação, segurança social, emprego, e outros.
O papel da assistente
social na ajuda para a resolução dos problemas das famílias, era estimulado quer
pela preocupação de toda a equipa como pela própria direção que facultava os meios
para o fazer. Por exemplo, o acompanhamento de crianças/jovens portadoras de
paralisia cerebral ou multideficiência, a consultas médicas a Coimbra, quando
provenientes de famílias que tinham dificuldades económicas, eram assegurados
em carrinhas da instituição, havendo uma estreita articulação entre os técnicos
da instituição e do Hospital Pediátrico /Centro de Paralisia Cerebral.
O nível e as condições de vida das famílias eram substancialmente
diferentes das atuais, tendo-se assistido a enormes mudanças, também neste
aspeto.
Num
primeiro levantamento socioeconómico,
efetuado em 1986, às famílias dos alunos, constatou-se que:
- Grande parte das famílias vivia em meio rural, com profissões ligadas ao operariado fabril e construção civil.
- As mães dos alunos eram, na sua maioria, domésticas, acumulando com a agricultura de subsistência.
- O nível cultural era caracterizado por muito baixas ou nulas qualificações e grande iliteracia (mais acentuado nas mulheres)
- Baixos rendimentos e condições habitacionais precárias.
- Muitas habitações não possuíam quarto de banho, água canalizada e, em alguns casos, até eletricidade.
- A rede de comunicações era muito incipiente: muito poucas famílias possuíam telefone em casa.
- Ao nível habitacional, a situação melhorou com a construção de vários bairros sociais onde algumas das famílias foram sendo gradualmente realojadas, mas também desenraizadas das freguesias rurais para viverem na cidade.
Todos
estes fatores condicionavam o trabalho da assistente social. Eram mesmo determinantes
nas estratégias de intervenção.
- O contacto pessoal e as visitas no domicílio, era privilegiado ao contacto por carta ou por telefone, de uma forma muito próxima das famílias e da comunidade.
- O trabalho interdisciplinar era, dessa forma, enriquecido pelo conhecimento que a assistente social detinha da realidade social das famílias das crianças/ jovens e as suas condicionantes, o que se tornava fundamental no trabalho pedagógico que era desenvolvido pelos professores.
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